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HELLINGER SCIENCIA®

            Ao percorrer um longo caminho do conhecimento, caminho esse que denomina de fenomenológico, o filósofo alemão BERT HELLINGER foi  presenteado (e nos presenteou) com compreensões sobre leis básicas da vida e das relações humanas. Expondo-se à realidade sem intenções e sem medo, percebeu as diversas maneiras de atuação da consciência humana e suas consequências em todos os níveis dos nossos relacionamentos. Organizou suas percepções sob o nome de Hellinger Sciencia®; na prática, o seu trabalho tem sido conhecido como Constelações Familiares.

             No desenvolvimento do seu método filosófico, agregou aprendizados obtidos em diversas escolas terapêuticas, quais sejam: psicanálise, análise transacional, gestalt, terapia primal, terapia familiar, hipnose ericksoniana, entre outras. Remete-se, também, à experiência obtida no convívio com os zulus, durante a sua permanência por cerca de 16 anos na África do Sul, como missionário católico.

        Hellinger descreve a consciência como um “órgão” da psique que vela pelo equilíbrio das nossas relações. Ele cita três diferentes consciências, cada uma delas constituindo um campo espiritual no qual nos movemos: a consciência PESSOAL, a consciência COLETIVA e a consciência ESPIRITUAL.

      Cada uma dessas consciências conserva sua própria necessidade para a nossa vida de relação, porém atuam e fluem juntas, complementando-se. Aonde uma limita-se, a outra amplia-se e expande a sua abrangência, a serviço da vida. O que as distingue, na essência, é o alcance do seu amor.

            Na trajetória evolutiva da humanidade, a valorização do indivíduo, a partir das funções que exerce no grupo, fez surgir a CONSCIÊNCIA PESSOAL, um sentido que nos informa exatamente o que fazer para garantir o nosso pertencimento nos diversos grupos de que participamos (independente de valores de certo ou errado, sentimos uma boa consciência quando nossas ações garantem o nosso pertencimento, e uma má consciência a partir de ações que ponham em risco o nosso pertencimento). Esta consciência é limitada e estreita, na medida em que olha apenas para os interesses do indivíduo, em detrimento do grupo. Em nome da consciência pessoal, fazemos julgamentos e impingimos ao outro a exclusão que tanto receamos para nós mesmos.

            Entretanto, independente de quão separada a consciência pessoal possa parecer, todos somos parte de grupos e nos relacionamos com grupos. Apesar do orgulho que possamos ter da nossa individualidade, estamos todos dançando, emaranhados numa CONSCIÊNCIA COLETIVA ou DE GRUPO. Esta consciência é amoral, arcaica e instintiva, estando a serviço da sobrevivência do grupo e de passar a vida adiante. Com este fim, não admite exclusão de nenhum de seus membros, tendo uma abrangência além da morte. Em nome do grupo, se for necessário, ela sacrifica o indivíduo.

            A consciência de grupo normalmente atua de forma oculta, sem que a percebamos. Somente a conhecemos pelos seus efeitos, quando desrespeitamos as suas exigências. Uma dessas exigências é o direito de pertencer que confere a todos os que fazem parte do grupo. Destarte, se um membro do grupo é excluído ou expulso, ou mesmo esquecido, pelos outros, a consciência de grupo “recruta” um outro membro seu para representar aquele em suas ações, sentimentos, destino, numa forma arcaica de compensação.

            Uma outra exigência básica da consciência de grupo, que vela pela paz no sistema, é o respeito pela hierarquia, pela ordem de chegada no grupo, conferindo a cada um o seu devido lugar. Essa consciência não permite que sucessores, quer por amor, quer por presunção, interfiram em assuntos dos antecessores, gerando fracassos para quem insista em desrespeitar essa lei.

            Apesar de mais ampla do que a consciência pessoal, a consciência de grupo ainda apresenta limitações, uma vez que privilegia um grupo em detrimento de outros, gerando conflitos entre culturas, povos, nações.

        Quando o interesse do indivíduo se contrapõe ao interesse do seu grupo, também a consciência pessoal se contrapõe à consciência coletiva, gerando conflitos nas diversas esferas da vida: dificuldades de relacionamento com pais, irmãos, cônjuge, ex-parceiros, filhos ou outras pessoas do convívio social; dificuldades no âmbito profissional ou nas empresas; doenças físicas, anímicas ou espirituais; acidentes, suicídios, repetição de destinos difíceis, entre outros.

            A solução desses conflitos é possível no nível da CONSCIÊNCIA UNIVERSAL ou ESPIRITUAL, que  abarca a todos igualmente, com benevolência e amor. Esse amor supera os limites da consciência pessoal e os da consciência de grupo, dedicando-se a cada um e a todos em sua família e nos outros grupos dos quais faz parte. De uma perspectiva mais ampla, essa consciência nos engloba a todos numa única e grande família, a família humana, cujos membros são diferentes, mas equivalentes.

            Em 1973, Ludwig Von Bertalanffy, através de sua teoria geral dos sistemas, introduziu a noção de sistema, caracterizando-o como um conjunto de elementos interdependentes, em interação, que constituem uma unidade ampla, inteira. Essa concepção tem sido estendida às diversas áreas da ciência, inclusive às ciências sociais e à psicologia. Sob essa perspectiva, todas as situações, mesmo as humanas, são consideradas sistemas, cujos componentes influenciam uns aos outros, sem assumirem o papel de causa ou efeito.

            A metodologia das Constelações Familiares, em seu caráter sistêmico, se coaduna com o “novo” conceito de Ecologia Profunda, proposto em 1973 pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Naess, que vê a humanidade como mais um fio na teia da vida. Cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera.

            Apesar de aparentemente novas, essas idéias nos remetem à experiência de vida dos povos primitivos, em que homem e natureza eram Um, num espírito de totalidade que integrava todos os elementos da existência. Em sua carta ao 14º presidente dos EUA, Franklin Pierce (1853-1857), o índio norte-americano Chefe Seattle afirma:

De uma coisa sabemos: a terra não pertence ao homem; é o homem que pertence à terra. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo quanto agride à terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem que teceu a trama da vida; ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.

          Hellinger aprendeu com os zulus a necessidade humana básica de alinhar-se com as forças da natureza, necessidade essa refletida na forma como as constelações familiares produzem efeitos curativos nas famílias, ao realinhar o sistema com as ordens naturais do amor.

            Na visão de mundo ecológica, enfatiza-se mais o todo que suas partes, sem, contudo, negligenciar as partes em favor do todo. Assim, a consciência ecológica, nesse sentido profundo, reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos e o perfeito entrosamento dos indivíduos e das sociedades nos processos cíclicos da natureza. Em última análise, segundo Fritjof Capra, em seu livro A Teia da Vida, essa profunda consciência ecológica é espiritual. Quando o conceito de espírito humano é entendido como o modo de consciência em que o indivíduo se sente ligado ao cosmo como um todo, fica claro que a percepção ecológica é espiritual em sua essência mais profunda, e então não é surpreendente o fato de que a nova visão da realidade esteja em harmonia com as concepções das tradições espirituais da humanidade.

           A família constitui-se no nosso ambiente ecológico mais imediato. É de fundamental importância que os membros do sistema familiar tornem-se conscientes de sua responsabilidade para com a ecologia ambiental, psíquica e emocional do grupo a que pertencem, visto que alterações em um elemento do sistema repercutem tanto positiva quanto negativamente no sistema como um todo.

             Assim é que as Constelações Familiares, a partir da Consciência Espiritual, está a serviço da vida, do amor e da paz, nos conduzindo para além da estreiteza da nossa consciência pessoal, ou mesmo da consciência de grupo, e nos ajudando no desenvolvimento de um amor total.

Vânia Meira e Siqueira Campos
(NACOF – Núcleo de Atendimento em Constelações Familiares)

   (Gregg Braden – A Matriz Divina – Ed. Cultrix)

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